27 Junho 2017
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  • Envolvente de Mercado 


    A formação dos preços de electricidade no mercado grossista é influenciada por vários factores, designadamente por aspectos relacionados com:

    • A estrutura de produção em termos de tecnologias empregues (mix tecnológico);
    • Os preços e condições de energia primária;
    • O regime hidrológico;
    • O mercado de licenças de emissão de CO2.

    A constituição do parque electroprodutor é crítica na formação dos preços de electricidade, na medida em que pode condicionar a sua vulnerabilidade a aspectos específicos das energias primárias ou das condições hidrológicas. A maior parte da electricidade produzida em Portugal é proveniente de centrais térmicas, nomeadamente de centrais a carvão, gás natural e fuel, que dependem integralmente da importação destes combustíveis fósseis. Ainda assim, Portugal apresenta uma maior dependência das centrais hidroeléctricas do que acontece, por exemplo, em Espanha.

    Assim, Portugal está sujeito à volatilidade dos preços dos mercados internacionais de energia primária, sendo a formação dos preços de electricidade no mercado grossista influenciada de forma decisiva, quer aqueles preços aumentem ou diminuam.

    Por outro lado, a acrescer aos preços nos mercados de energia primária, o Protocolo de Quioto veio a criar um mecanismo de gestão de licenças de emissão por iniciativa da Comissão Europeia, criando um mercado no espaço europeu (ETS – European Trading Scheme). Este mercado atribui uma valorização às emissões do CO2 que passaram a reflectir-se na estrutura de custos das centrais térmicas, nomeadamente nas centrais a carvão, onde o nível de emissões de CO2 é mais elevado. Este novo “custo” a internalizar no preço final da electricidade veio a constituir um factor importante na definição de políticas energéticas tendo em consideração a preocupação crescente da Humanidade a respeito das alterações climáticas.
    Relativamente à produção em centrais hídricas, a valia da água ao longo do tempo tem um custo de oportunidade subjacente, que varia consoante o nível de armazenamento e o regime hidrológico verificado (se se está perante um ano húmido ou seco).

    Em Portugal, na grande hídrica existem dois tipos de centrais:

    • Centrais de fio-de-água, que não têm capacidade de armazenamento de água, fazendo com que a água seja turbinada assim que o nível de afluência de água o justifique. Na presença de um regime hidrológico húmido, a valorização da água nestas centrais é próxima de zero.
    • Centrais de albufeira, que têm capacidade de armazenamento de água, permitindo um aprovisionamento de energia ao longo do tempo. A utilização dessa energia já tem associado um custo de oportunidade, que será maior ou menor consoante o regime hidrológico e o nível de armazenamento das albufeiras, tendo também em conta as restrições de exploração dos aproveitamentos hidroeléctricos (como por exemplo, regularização de caudais, abastecimento de água às populações, manutenção das cotas de exploração para fins turísticos e agrícolas).

    Mais recentemente, a produção de energia de origem renovável tem vindo a aumentar significativamente, nomeadamente, aproveitamentos eólicos, solares fotovoltaicos e centrais mini-hídricas. A existência de centrais térmicas de biomassa e biogás e centrais de co-geração é outra vertente da produção em regime especial. Os custos associados à produção em regime especial são regulamentados, sendo reflectidos na tarifa de electricidade, havendo obrigatoriedade por parte do CUR a compra de toda a energia renovável injectada na rede.

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