20 Setembro 2017
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  • Qualidade de Serviço Técnica 


    As disposições de qualidade técnica estão divididas em dois aspectos, a continuidade de serviço e as características do fornecimento do gás natural.



    A qualidade de serviço técnica abrange o desempenho de todas as infra-estruturas, o terminal de recepção, armazenamento e regaseificação de GNL, o armazenamento subterrâneo, a rede de transporte e as redes de distribuição, sendo avaliada através de indicadores gerais e indicadores individuais.

    Os indicadores gerais destinam-se fundamentalmente a avaliar o desempenho global das diversas infra-estruturas do sistema de gás natural.

    Os indicadores individuais avaliam a qualidade do serviço prestado a cada um dos clientes individualmente.

    Continuidade de serviço

    Indicadores gerais

    O RQS estabelece indicadores gerais de qualidade de serviço para todos os operadores das infra-estruturas do sistema de gás natural.

    A operação do terminal de recepção, armazenamento e regaseificação de GNL deve permitir:

    • A recepção de GNL contratado pelos diversos agentes.
    • A injecção de gás natural na fase gasosa para a rede.
    • Carga de camiões cisterna com gás natural na fase líquida.

    Os indicadores gerais referentes à operação do terminal de recepção, armazenamento e regaseificação de GNL, contemplam os seguintes três processos.

    Os operadores de armazenamento subterrâneo são responsáveis por gerir os fluxos de gás natural, assegurando a sua interoperabilidade com a rede de transporte.

    Em termos de qualidade de serviço prestada por estes operadores, é importante avaliar a gestão da recepção de gás nas cavernas e a gestão de injecção de gás natural na rede. Os indicadores estabelecidos pelo RQS avaliam este processo.

    A avaliação da continuidade de serviço da rede de transporte e das redes de distribuição está associada à ocorrência de interrupções de fornecimento, e baseia-se na quantificação do número de interrupções e da sua duração.

    Relativamente às interrupções de fornecimento, o RQS define o conceito e a forma de identificação de interrupção e as situações em que o fornecimento pode ser interrompido. Na caracterização das redes e do serviço prestado ao cliente, as interrupções devem ser diferenciadas, nomeadamente, de acordo com a sua previsibilidade (e consequente impacto da sua ocorrência na instalação do cliente) e a possibilidade de actuação do operador da rede, no sentido da interrupção poder ou não ser evitada. Assim, a classificação das interrupções traduz essa diferenciação. Cada uma das classes previstas no RQS indica se a interrupção é acidental ou prevista, e controlável ou não controlável.

    Para efeitos de aplicação do RQS consideram-se as interrupções verificadas nos pontos de ligação entre as infra-estruturas exploradas por diferentes operadores e entre as redes e as instalações dos clientes.

    Indicadores gerais para a rede de transporte:

    • Número médio de interrupções por ponto de saída - quociente do número total de interrupções nos pontos de saída, durante determinado período, pelo número total dos pontos de saída, no fim do período considerado.
    • Duração média das interrupções por ponto de saída - quociente da soma das durações das interrupções nos pontos de saída, durante determinado período, pelo número total de pontos de saída existentes no fim do período considerado.
    • Duração média de interrupção - quociente da soma das durações das interrupções nos pontos de saída, pelo número total de interrupções nos pontos de saída, no período considerado.

    Indicadores gerais para a rede de distribuição:

    • Número médio de interrupções por cliente - quociente do número total de interrupções a clientes, durante determinado período, pelo número total de clientes existentes, no fim do período considerado.
    • Duração média das interrupções por cliente - quociente da soma das durações das interrupções nos clientes, durante determinado período, pelo número total de clientes existentes no fim do período considerado.
    • Duração média das interrupções - quociente da soma das durações das interrupções nos clientes, pelo número total de interrupções nos clientes no período considerado.

    Indicadores individuais

    O RQS estabelece indicadores individuais para a rede de distribuição que avaliam as interrupções sentidas pelos clientes individualmente:

    • Número de interrupções - Número de interrupções por cliente, durante determinado período.
    • Duração das interrupções - Duração acumulada das interrupções, durante determinado período.

    Os indicadores individuais devem ser determinados diferenciando as seguintes classes de interrupções:

    • Interrupções previstas controláveis.
    • Interrupções não controláveis.
    • Interrupções acidentais controláveis.

    Padrões de qualidade de serviço técnico

    Para além do cálculo dos indicadores gerais de continuidade de serviço, os operadores das redes de distribuição devem cumprir um nível de qualidade de serviço mínimo estabelecido por padrões. O RQS estabelece padrões para os indicadores gerais “Número médio de interrupções por cliente” e “Duração média das interrupções”, considerando a classificação das interrupções, apresentados no quadro seguinte:




    Os padrões apresentados aplicam-se aos operadores das redes de distribuição com mais de 100 000 clientes no ano gás anterior ao ano gás a que se referem.

    Características do fornecimento de gás natural

    O RQS define as características do gás natural e a pressão de fornecimento, bem como as metodologias de verificação destas duas especificações do fornecimento.

    Características do gás natural

    As características do gás natural, estabelecidas pelo RQS, foram seleccionadas tendo em consideração a pertinência de cada parâmetro para a qualidade de serviço associada à utilização do gás natural.

    A principal utilização do gás natural, por parte dos clientes domésticos, é em aparelhos de queima. Uma das formas de garantir uma combustão segura é limitar certas características do gás, de forma a não ocorrer combustão incompleta, nem emissão de monóxido de carbono. A limitação destas características de combustão também garante uma chama estável, garantindo a segurança da operação de queima de gás. As questões referentes à corrosão e deterioração de equipamento e aparelhos de gás natural, bem como as questões ligadas à qualidade do gás natural como matéria-prima, são abordadas considerando limites para parâmetros de não combustão.
     
    Assim, no que respeita à qualidade da combustão do gás natural, devem ser monitorizadas e limitadas as seguintes características:

    • Índice de Wobbe.
    • Densidade.

    O gás natural fornecido deve ainda respeitar limites das seguintes características de não combustão:

    • Ponto de orvalho da água.
    • Sulfureto de hidrogénio.
    • Enxofre total.

    Finalmente, devem ser monitorizadas, apesar de não serem impostos limites, as seguintes características de não combustão:

    • Concentração de Oxigénio.
    • Ponto de orvalho de hidrocarbonetos para pressões até à pressão máxima de serviço.
    • Concentração de sulfureto de carbonilo.
    • Concentração de impurezas.
    • Concentração mínima de metano.

    Pressão de fornecimento

    Os aparelhos de queima estão preparados para funcionar com uma certa tolerância em relação ao valor da pressão nominal, que pode ser inferior à gama de variação da pressão de rede. Assim, torna-se necessário regular a pressão a jusante dos pontos de entrega. Para tal, são utilizados redutores de pressão que fornecem uma pressão constante para jusante dentro de determinados limites, independentemente do caudal instantâneo e da pressão a montante. Desta forma são assegurados limites de pressão adequados ao bom funcionamento dos aparelhos e das redes.

    Neste contexto, os níveis de pressão do gás natural devem assegurar um contínuo funcionamento das infra-estruturas, atendendo aos limites de pressão do bom funcionamento das mesmas e dos equipamentos dos clientes.

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