O transporte consiste na veiculação de gás natural numa rede interligada de alta pressão, para efeitos de recepção e entrega a distribuidores e a instalações fisicamente ligadas à rede de transporte, excluindo a comercialização.
A actividade de transporte é separada jurídica e patrimonialmente das demais actividades desenvolvidas no âmbito do Sistema Nacional de Gás Natural, assegurando-se assim a independência e a transparência do exercício da actividade e do seu relacionamento com as demais. No âmbito desta actividade, compete ao operador da rede de transporte manter e desenvolver a rede de gasodutos de alta pressão e as suas interligações com outras redes, bem como assegurar a capacidade da rede a longo prazo.
Considerando que a Rede Nacional de Transporte de Gás Natural assume um papel crucial no Sistema Nacional de Gás Natural, a sua exploração integra a gestão global do sector, assegurando a coordenação sistémica das infra-estruturas de armazenamento, dos terminais e das redes de distribuição de gás natural, tendo em vista a continuidade e a segurança do abastecimento e o funcionamento integrado e eficiente do sistema de gás natural.
A entidade responsável pela actividade de transporte de gás natural é a REN Gasodutos, o operador da rede de transporte. Compete ainda ao operador da rede de transporte a actividade de Gestão Técnica Global do SNGN que consiste em assegurar a gestão eficiente do SNGN, nomeadamente através da coordenação do funcionamento das infra-estruturas do SNGN e das infra-estruturas ligadas a este sistema.
A rede de transporte em alta pressão encontra-se dividida em sete gasodutos com as caracteristicas e a localização indicadas no quadro e figura seguintes.
| Gasodutos | Troço | Extensão do troço
central (km) | Entrada em exploração |
| Lote 1 | Setúbal a Leiria | 193 | Fevereiro de 1997 |
| Lote 2 | Leiria a Braga | 352 | Fevereiro de 1997 |
| Lote 3 | Campo Maior a Leiria | 221 | Fevereiro de 1997 |
| Lote 4 | Braga a Tuy | 73 | Dezembro de 1997 |
| Lote 5 | Portalegre a Guarda | 191 | Outubro de 1999 |
| Lote 6 | Coimbra a Viseu | 76 | Setembro de 1999 |
| Lote 7 | Setúbal a Sines | 88 | Novembro de 2003 |
A rede de transporte contava, no final de 2009, com 1267 km, desenvolvidos geograficamente por dois grandes eixos:
- Um eixo Sul - Norte desde o terminal de GNL até Valença do Minho que garante o abastecimento de gás natural à faixa litoral de Portugal com as localidades mais densamente povoadas. Este eixo tem uma grande derivação para Viseu;
-
Um eixo entre Campo Maior, onde é feita a ligação Espanha - Portugal, e o armazenamento subterrâneo, no Carriço. Este eixo tem uma derivação (Sul - Norte) para a Guarda.
Desta forma, contam-se duas interligações da rede de transporte de Portugal com a rede de transporte de Espanha, sendo uma em Campo Maior (Badajoz) e outra em Valença do Minho (Tuy). O ponto de entrada de Campo Maior tem uma capacidade de interligação de 122,4 GWh/dia e, a interligação de Valença do Minho foi até 2008 um ponto de saída com capacidade de 8,2 GWh/dia. No entanto, em 2009 esta interligação passou a ser utilizada como ponto de entrada em Portugal, com uma capacidade de 23,0 GWh/dia.

A entrada de gás natural na rede de transporte, verificada no ano de 2009, foi de 55,6 TWh (4,68 bcm). A capacidade máxima de importação de gás natural por gasoduto é de 8,95 bcm, o que permite constatar que existe presentemente capacidade disponível para um rápido desenvolvimento do sector.
O quadro apresenta o balanço de gás natural na rede de transporte desde 2006.
| | 2006 | 2007 | 2008 | 2009 |
| ENTRADAS | 51,7 | 51,1 | 53,9 | 56,3 |
| Interligações | 27,8 | 18,3 | 23,4 | 22,5 |
| Mercado Interno | 23,4 | 16,4 | 23,0 | 22,5 |
| Trânsito | 4,4 | 1,9 | 0,4 | 0 |
| Terminal de GNL | 23,1 | 31,5 | 30,1 | 33,1 |
| Armazenamento - Extracção | 0,8 | 1,3 | 0,3 | 0,7 |
| SAÍDAS | 51,9 | 51,3 | 53,9 | 51,7 |
| GRMS | 45,9 | 48,5 | 53,0 | 50,6 |
| Armazenamento - Injecção | 1,5 | 0,9 | 0,4 | 1,1 |
| Interligações | 4,5 | 1,9 | 0,5 | 0 |
| Mercado internacional | 0,1 | 0 | 0 | 0 |
| Trânsito | 4,4 | 1,9 | 0,5 | 0 |
Unidade: TWh