O gás natural foi descoberto na Pérsia entre 6000 a.C. e 2000 a.C. e, segundo algumas indicações históricas, era usado para manter aceso o “fogo eterno” – símbolo de adoração de uma seita local.
Na China é conhecido desde 900 a.C., mas o conhecimento da primeira utilização do gás natural, segundo um manuscrito chinês, data de 347 a.C. O manuscrito descreve um “ar de fogo” que podia ser usado para iluminação. O historiador chinês Chang Qu menciona ainda a existência de um sistema engenhoso de bambus, selados entre si com betume, construído na província de Sichuan para transportar o gás natural desde o ponto onde, naturalmente, brotava da terra até à cidade.
Na Europa, o gás natural foi descoberto no século XVII, embora não tenha despertado grande interesse. O gás de iluminação pública na Europa, a partir de 1790, era produzido a partir do carvão. Há cerca de 200 anos, Alessandro Volta descobriu o potencial energético do gás natural quando verificou que as bolhas emergentes da água, no lago Maggiore, ardiam com chama azulada.
Em 1821, as ruas de Fredonia, perto de New York, eram iluminadas por gás natural, meramente porque o gás emergia espontaneamente de um buraco no chão, à saída da cidade. O facto de a canalização ser feita em madeira e chumbo constituía um obstáculo importante à generalização da distribuição deste combustível, nomeadamente por questões de segurança. Não havia mecanismos fiáveis para transportar o gás até às casas o que impedia assim o seu uso para aquecimento, cozinha e outros usos, sendo apenas utilizado para iluminação pública. Desde o início do século XX, a electricidade substituiu o gás e tornou-se a principal fonte de iluminação.
Como muitas outras coisas ligadas à indústria dos hidrocarbonetos, que engloba a exploração dos recursos de petróleo bruto e de gás natural, a indústria do gás foi desenvolvida nos Estados Unidos da América. Ao princípio, as companhias de gás tentaram comercializar gasodomésticos (secadores de cabelo, ferros de engomar e outros pequenos aparelhos) mas, em concorrência com as empresas de electricidade, este tipo de aparelhos deixou de ser usado. O primeiro fogão a gás apareceu em 1857: servia para cozinhar e aquecer o ambiente simultaneamente. Foi, finalmente, a descoberta de Robert Bunsen - o célebre bico de Bunsen - em 1885, misturando ar e gás natural, que permitiu usar plenamente as vantagens deste combustível. Os produtores de gás natural rapidamente mudaram a sua atenção para as propriedades térmicas deste combustível, promovendo-o como fonte de energia para aquecimento ambiente, de águas sanitárias e cozinha. Os mercados industriais e da produção térmica de electricidade tiveram pouca expressão até ao fim da Segunda Guerra Mundial. Só após os anos 40 o gás natural passou a ser largamente disponibilizado, pelo desenvolvimento das necessárias infra-estruturas de transporte.
Convém não esquecer que, dada a escassez de gasodutos, a maioria do gás produzido, em associação com o petróleo bruto e, mais raramente, com o carvão, era deitado fora, queimado ou não à boca do poço. Quando eram encontradas bolsas exclusivamente de gás natural, estas não eram exploradas.
A baixa qualidade dos tubos, bem como a das junções atrasou o desenvolvimento das redes de transporte de gás natural. Foi após a Segunda Guerra Mundial que o transporte de gás por gasoduto teve a sua expansão. Foram os avanços resultantes da guerra, na metalurgia, na soldadura e na produção dos tubos que permitiram o rápido desenvolvimento do transporte de gás. Uma vez que as redes de transporte e de distribuição se expandiram, a indústria e as centrais térmicas passaram a ser importantes clientes do gás natural. Obviamente que continua a ser usado para aquecimento de ambiente e outros usos domésticos, mas o sector residencial deixou, hoje, de ser o principal cliente. Após um período de interdição nos anos 70, o gás natural é actualmente muito usado para a produção de energia eléctrica. Para este facto muito contribuiu a tecnologia do ciclo combinado, em que o rendimento térmico é francamente superior ao das centrais convencionais. A actual política de desenvolvimento sustentado também abriu novas perspectivas de aumento do uso do gás natural.
Características do gás natural
Algumas das razões para utilização do gás natural são:
- Chama fácil e finamente regulável com temperatura constante.
- Fornecimento directo no local de consumo, sem transtorno para o utilizador.
- Ausência de necessidade de armazenamento no local de consumo.
- Fácil uso.
- Pouco poluente.
Do ponto de vista químico, o gás natural é constituído por uma mistura de gases, onde o metano (CH4) predomina na ordem dos 90%. Fisicamente, é um gás com uma massa volúmica de 0,84 kg/m3 e uma densidade relativamente ao ar de 0,65. Esta característica confere-lhe boa segurança em caso de fuga, por rápido escoamento ascensional. O poder calorífico superior[2] (PCS), consoante as origens, varia entre 9 000 kcal/m3 e 12 000 kcal/m3. Dado o relativo peso do hidrogénio, o poder calorífico inferior[3] é cerca de 10% inferior ao PCS.
Por uma questão de segurança, o gás natural é obrigatoriamente odorizado[4] quando entregue à rede de distribuição ou aos clientes finais ligados directamente à rede de transporte. De entre estes últimos pode haver excepções, devidamente autorizadas, como é o caso da central da Tapada do Outeiro, à qual o gás natural é entregue não odorizado.